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Câmara de Goiânia aprova criação do Memorial e Museu Césio-137; texto segue para sanção

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Da Redação
22 de ago.
2 min de leitura

Projeto quer homenagear vítimas do maior acidente radiológico do mundo, que ocorreu em 1987


Foto: Acervo/O Popular
Foto: Acervo/O Popular

Especial para Vértice A Câmara Municipal de Goiânia aprovou em segunda e última votação o Projeto de Lei que institui o Memorial e Museu Césio-137 no município. A matéria passou por intenso debate nas comissões da Casa antes de obter aprovação unânime do plenário e ser oficialmente remetida ao prefeito Sandro Mabel para sanção.


A proposta visa homenagear as vítimas diretas e indiretas da tragédia de setembro de 1987, o maior acidente radiológico em área urbana do mundo, reconhecer o trabalho dos profissionais de saúde e resgate e consolidar um espaço cultural, educacional e científico.


Detalhes

O espaço será construído em área pública definida pela Prefeitura de Goiânia e contará com áreas de exposição permanente (documentos, fotos e vídeos), auditório, centro de documentação e pesquisa, além de memorial com os nomes das vítimas. O projeto de Lei, se sancionado, permitirá a assinatura de convênios com instituições públicas e privadas, nacionais ou internacionais, para fomento, manutenção e gestão cultural/científica do local. Texto agora segue para sanção do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel.


Césio-137


Completando 39 anos do acidente radiológico com o Césio-137, a tragédia teve início no dia 13 de setembro de 1987, na região Central da capital goiana. Tudo ocorreu quando uma capsula radioativa foi retirada das ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia.


Catadores de sucata encontraram o material na Rua 57, no Setor Central, e violaram o aparelho de radioterapia nas ruínos do antigo prédio. Por conter chumbo, material de relativo valor financeiro, a fonte foi vendida para um depósito de ferro-velho, cujo dono a repassou a outros dois depósitos, além de distribuir os fragmentos do material radioativo a parentes e amigos que por sua vez os levaram para suas casas.


A substância radioativa chegou a circular em pelo menos seis setores da cidade, setor Central, setor Aeroporto, Norte Ferroviário, setor dos Funcionários e Centro, conforme relatório oficial do acidente elaborado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).A substância radioativa chegou a circular em pelo menos seis setores da cidade, setor Central, setor Aeroporto, Norte Ferroviário, setor dos Funcionários e Centro, conforme relatório oficial do acidente elaborado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).


Segundo informações do governo, as pessoas que tiveram contato com o material radioativo, contato direto na pele (contaminação externa), inalação, ingestão, absorção por penetração através de lesões da pele (contaminação interna) e irradiação, apresentaram, desde os primeiros dias: náuseas, vômitos, diarreia, tonturas e lesões do tipo queimadura na pele.


Algumas delas buscaram assistência médica em hospitais locais até que a esposa do dono do depósito de ferro-velho, suspeitando que aquele material tivesse relação com o mal-estar que se abateu sobre sua família, levou a peça para a Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde, onde finalmente o material foi identificado como radioativo. Devido às características do acidente de Goiânia, as vias potenciais de exposição da população à radiação foram: inalação de material ressuspenso, ingestão de frutas, verduras e irradiação externa devido ao material depositado no ambiente.

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