Dia Nacional do Voluntariado reforça importância do acolhimento no ambiente hospitalar

No Hospital Municipal de Aparecida, experiência de acolhimento e escuta mostra como a atuação voluntária contribui para humanizar a jornada de pacientes e acompanhantes e ressignificar a vida de quem doa tempo ao cuidado do outro

Neste Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia - Iris Rezende Machado (HMAP) destaca a importância do trabalho humanizado em suas instalações. Administrada pelo Einstein em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, a unidade conta com a atuação de voluntários que dedicam seu tempo a promover o acolhimento, a empatia e o suporte emocional para pacientes e acompanhantes durante o período de internação.
Entre as histórias que marcam essa trajetória está a de Antônio Geraldo, voluntário no HMAP que encontrou na escuta atenta e no convívio diário uma forma de retribuir as oportunidades que teve na vida.
A experiência começou ainda em Poços de Caldas (MG), onde atuava voluntariamente em um residencial para idosos. Em Goiânia, passou a atuar no ambiente hospitalar e descobriu novas formas de contribuir. “Eu me sinto endividado com a vida boa que eu tive e sempre gosto de agradecer a Deus por isso. Na minha opinião, uma forma de fazer isso é ajudando outras pessoas. Essa é a minha motivação para ser voluntário”, conta.
Ao longo da atuação no HMAP, Antônio acumulou histórias que mostram como vínculos podem surgir em momentos de fragilidade. Em uma ocasião, uma brincadeira sobre dançar forró com uma paciente acabou criando uma amizade que permaneceu por muito tempo. “Existem várias histórias que marcaram a minha vida. Eu sempre tento aproveitar o melhor delas”, afirma.
O impacto também aparece na forma como Antônio percebe os pacientes. Para ele, o voluntariado pode contribuir para tornar a experiência de internação mais acolhedora, por meio da escuta, da companhia e do apoio emocional.
“Eu sou aposentado e já fui um pessimista quanto aos valores humanos. Trabalhar com pessoas carentes, doentes e às vezes fragilizadas me fez enxergar a vida como um presente de Deus”, relata. Segundo ele, o desejo hoje é buscar longevidade e, principalmente, capacidade para ampliar aquilo que pode fazer pelo outro.
Para a esposa do paciente, Eva Silva, a passagem dele pelo HMAP mostra como o acolhimento dos voluntários pode permanecer na memória mesmo depois da alta hospitalar. Em meio à fragilidade provocada pelo período de internação, os gestos de carinho e as palavras de incentivo ajudaram a tornar aquele momento mais leve.
“O que mais marca é lembrar o quanto fomos bem tratados por pessoas que nem conhecíamos. Em pleno sofrimento e dor, os voluntários chegavam com palavras bonitas e até conseguiam fazer meu marido sorrir. Aquilo preenchia um vazio e ajudou muito. Hoje estamos aqui, com muita saúde e meu esposo curado, e só temos a agradecer. Eles nos trataram com carinho, como se fôssemos da família. Foram pessoas maravilhosas que fizeram toda a diferença na nossa experiência no hospital”, relata.
Cuidado ampliado
A presença do voluntariado também está alinhada ao compromisso do HMAP com uma assistência cada vez mais humanizada. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, enaltece o gesto de quem escolhe dedicar parte do próprio tempo ao cuidado com outras pessoas. “A gente sabe que, dentro de um hospital, existem momentos de medo, ansiedade e incerteza. Por isso, encontrar alguém disposto a parar, conversar, ouvir e oferecer uma palavra amiga pode fazer uma diferença enorme para quem está ali”, afirma.
Na avaliação do secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, a participação dos voluntários agrega uma dimensão importante à assistência hospitalar. “A internação exige uma atuação multidisciplinar e organizada, e o voluntariado contribui justamente em uma frente que não se resume a procedimentos clínicos: a experiência do paciente. A escuta qualificada, a companhia e as atividades de acolhimento podem favorecer o bem-estar emocional durante a permanência na unidade”, pontua.
O diretor do hospital, Pedro Vieira, destaca que a atuação dos voluntários amplia o olhar sobre o cuidado e reforça que a experiência de internação envolve também aspectos emocionais e sociais. “Quando uma pessoa se dispõe a doar tempo, escuta e atenção para alguém que está passando por um momento de fragilidade, ela também se transforma".
Trajetória do Voluntariado
A atuação voluntária no HMAP se concentra nas camadas emocionais do cuidado. O trabalho é cuidadosamente integrado à equipe assistencial e não substitui o atendimento técnico, mas sim, o complementa. Atualmente, cerca de 30 colaboram regularmente em diferentes frentes na unidade, desde o acolhimento, na recepção e ambulatório, até visitas aos leitos, onde oferecem companhia e conforto emocional. Na Brinquedoteca, realizam atividades lúdicas com as crianças internadas, promovendo momentos de descontração e bem-estar para os pequenos em tratamento.
Com mais de 70 anos de trajetória, o Voluntariado Einstein reúne hoje mais de 700 participantes atuando em 11 unidades nos estados de São Paulo, Goiás e Bahia. Em território goiano, a atuação humanizada está presente há três anos no HMAP e há dois no Einstein Goiânia, levando acolhimento e gentileza a pacientes e familiares.
Saiba mais e conheça as formas de atuação na área "Seja Voluntário": https://voluntarios.einstein.br/seja-voluntario/



