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Energéticos podem elevar pressão e alterar batimentos cardíacos de adolescentes

25 de set.
3 min de leitura

Cafeína e outros estimulantes estão associados a palpitações, ansiedade e dificuldade para dormir; especialista orienta sobre o consumo frequente



Consumo de bebidas energéticas entre adolescentes pode provocar alterações na pressão arterial e no ritmo cardíaco, além de sintomas como palpitações e ansiedade. - Foto: Pexels
Consumo de bebidas energéticas entre adolescentes pode provocar alterações na pressão arterial e no ritmo cardíaco, além de sintomas como palpitações e ansiedade. - Foto: Pexels

O consumo de bebidas energéticas pode elevar a pressão arterial e provocar alterações nos batimentos cardíacos de adolescentes, segundo estudos que avaliaram os efeitos dessas bebidas em jovens. Consumidos muitas vezes para aumentar a disposição para estudar, treinar ou permanecer acordado, os produtos também podem provocar palpitações, ansiedade e dificuldade para dormir.


A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que crianças e adolescentes são mais vulneráveis aos efeitos da cafeína. A substância está presente não apenas nos energéticos, mas também em café, refrigerantes à base de cola, chás e chocolates, o que torna importante observar o consumo total ao longo do dia.


Um estudo clínico realizado em 2022 com 27 crianças e adolescentes saudáveis, com idade média de 14,5 anos, identificou aumento da pressão arterial após o consumo de bebida energética. Em comparação com o placebo, a pressão sistólica aumentou em até 5,23 mmHg e a diastólica em até 3,29 mmHg.


Para a cardiopediatra Mirna de Sousa, os efeitos estão relacionados principalmente à presença de estimulantes e à quantidade consumida. “A cafeína em excesso pode acelerar os batimentos e aumentar a pressão arterial. Em adolescentes, isso pode aparecer como palpitação, tremor, ansiedade e até mal-estar”, explica.


Além da pressão arterial, pesquisas também identificaram efeitos sobre o ritmo cardíaco. Em um ensaio clínico com crianças e adolescentes saudáveis, o consumo de energético esteve associado a aumento significativo de extrassístoles supraventriculares em comparação com o placebo. Os pesquisadores ressaltam, porém, que o estudo não avaliou doses maiores nem os efeitos em crianças com doenças cardíacas preexistentes.


O problema pode começar pelo sono

O efeito estimulante da cafeína também pode interferir no descanso. A SBP aponta que a substância pode provocar agitação e distúrbios do sono, além de aumentar a ansiedade. Para adolescentes que recorrem a energéticos para combater o cansaço, o estímulo pode mascarar temporariamente a sonolência, mas não substitui a necessidade de descanso.


“Às vezes, o adolescente está cansado e usa o energético para conseguir estudar ou treinar. Ele sente uma disposição momentânea, mas isso não significa que o organismo esteja descansado. O sono continua sendo fundamental para essa fase da vida”, afirma Mirna.


Outro ponto de atenção é o consumo durante atividades físicas. Energéticos não devem ser confundidos com bebidas esportivas ou isotônicas. Os primeiros contêm substâncias estimulantes, como cafeína e, em alguns produtos, guaraná e outros compostos.


Pais devem observar o consumo

Para a cardiopediatra, os responsáveis devem observar não apenas a quantidade ingerida, mas também a frequência e o motivo que leva o adolescente a procurar esse tipo de bebida.


“Se o adolescente precisa de energético com frequência para estudar, treinar ou passar o dia acordado, é importante entender por que ele está tão cansado. A bebida não deve ser usada como solução para falta de sono ou excesso de atividades”, orienta.


A cautela deve ser ainda maior entre adolescentes que já apresentam doenças cardíacas ou outras condições de saúde. Estudos experimentais apontam alterações cardiovasculares após o consumo agudo de bebidas energéticas por jovens saudáveis, e os próprios pesquisadores recomendam atenção especial entre menores com condições de saúde preexistentes.


Palpitações persistentes, batimentos muito acelerados, dor no peito, falta de ar, tontura ou desmaio após o consumo exigem avaliação médica.


“Bebida energética não deve ser tratada como um refrigerante comum. Quando falamos de adolescentes, principalmente daqueles que já têm alguma alteração cardíaca, o cuidado precisa ser ainda maior”, destaca Mirna.

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