Aclamado pela crítica, longa-metragem ‘Pequenas Tragédias’ será exibido em Goiânia neste domingo (20/08)

Diretor traz em sua filmografia outros filmes premiados e exibidos em festivais internacionais, como ‘Apenas Coisas Boas' e ‘Vento Seco’

Resuminho para quem tem pressa: O longa-metragem goiano ‘Pequenas Tragédias’, do cineasta Daniel Nolasco, será exibido gratuitamente neste domingo (20), às 18h30, no Cine Cultura, em Goiânia. A sessão acontece após a estreia mundial do filme no Festival de Brasília, onde a produção foi recebida positivamente pelo público e pela crítica especializada.
‘Pequenas Tragédias’, novo longa-metragem do cineasta goiano Daniel Nolasco, será exibido no Cine Cultura, na Praça Cívica, em Goiânia. A sessão é gratuita e acontece no domingo, dia 20/09, às 18h30. A classificação indicativa é de 18 anos. O filme estreou mundialmente na Mostra Competitiva Nacional do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no último domingo, dia 13. E, desde então tem sido aclamado pelo público e pela crítica de cinema nacional.
Em 2011, Daniel Nolasco deixou Catalão, no interior de Goiás, para estudar cinema no Rio de Janeiro e foi o primeiro de um grupo de amigos queers a sair da cidade. Dez anos depois, nenhum deles compartilhava mais aquele mesmo cotidiano: alguns haviam se mudado para outros centros urbanos e outros permaneceram ligados à cidade de diferentes maneiras. Este é um dos pontos de partida da trama, que mistura tragédias, reflexões e um humor muito sarcástico. Com elementos tanto documentais quanto ficcionais, o filme volta o olhar para a cidade de Catalão e para as vivências da comunidade LGBTQUIAP+ em uma cidade interiorana de Goiás.
Aclamado pela crítica e pelo público
O filme concorre ao troféu Candango do Festival de Brasília, que é a principal premiação. O resultado será divulgado no próximo sábado - um dia antes da sessão em Goiânia. Desde então, textos e comentários sobre o longa circulam em veículos oficiais da imprensa, da crítica cinematográfica e em sites dedicados ao público cinéfilo como o LetterBox.
Durante a exibição em Brasília, o público interagiu positivamente ao que via na telona. Foi possível ouvir risadas e alguns pequenos soluços ao longo da trama. Ao final, os aplausos aconteceram em uníssono. Nos jornais, sites e revistas que repercutiram o filme, não foi diferente. Estadão, Revista de Cinema, Meio Amargo e Jornal Opção foram alguns dos que repercutiram o filme.
No jornal Estadão, o crítico Luiz Zanin intitulou o seu texto de “A força do cinema queer”. “Trata-se de um objeto cinematográfico de grande equilíbrio, independentemente de seu conteúdo, que pode agradar ou não ao público, dependendo, claro, do ponto de vista ou das opções de cada um. [...] A experiência de ser gay numa dessas cidades questiona a imagem estereotipada que se possa ainda ter do Brasil, como país cordial e tolerante. Aqui é a intolerância e a violência que dominam. [...] Formalmente, é uma obra muito bem estruturada e que trabalha com várias camadas de distanciamento crítico.”, escreve Zanin, que é um dos mais renomados escritores da crítica de cinema no Brasil.
Maria do Rosário, nome também já consagrado na crítica cinematográfica brasileira, escreve para o site da Revista de Cinema: “O filme [...] impressionou por sua inventividade, humor corrosivo e pegada documental impregnada por envolvente ficção fabular. E com trilha sonora que une canções que vão de Ney Matogrosso (“Homem de Neanderthal”) a hits do agronejo. Sem esquecer cenas homoeróticas, já que ‘Pequenas Tragédias’ é um vigoroso exemplar de narrativas queer. [...] A plateia se desmanchou em sonoras gargalhadas”.
Em Goiás, Pedro Lima de Andrade escreveu para o Jornal Opção sobre o longa-metragem: “No centro das memórias de Nolasco há um balanço muito claro da comédia que vem do patético, do moralismo barato dos moradores da cidade. [...] É fascinante como o diretor cria, em sua forma híbrida, a mistura da narração com piadas sobre o ator que mentiu dizendo que andava de moto, mas não sabia, e exigiu uma mudança na gravação, com um humor que surge de tanta dor.”
Já o site Meio Amargo intitula a crítica de “Reinvente seus traumas”. “[...] Isso porque uma das principais ferramentas para reler suas dores reside no fetiche. [...] Logo, o caminho para retomar estes traumas por uma perspectiva saudável consiste na erotização do outro. [...] Esta estratégia nunca significa a adesão às atitudes dos sujeitos truculentos, pelo contrário. O longa-metragem não demonstra tesão na violência, mas na ilusão de modificar o passado (os abusos cometidos a terceiros). Neste releitura, não há uma única cena de agressão explícita - nem de sexo.”, escreve Bruno Carmelo, crítico de Cinema há 22 anos.
Sobre a narrativa
‘Pequenas Tragédias’ reúne diferentes experiências queer ligadas à cidade do interior goiano, Catalão. Em determinado momento, o próprio Nolasco explicita a posição a partir da qual constrói o longa: “Em 2019, fiquei por quatro meses em Catalão a trabalho, quando fui gravar o meu outro longa-metragem, ‘Vento Seco’. Foi quando descobri que as pessoas que formavam o meu antigo núcleo de amigos LGBTs não moravam mais lá. Comecei a me questionar porque todos tinham ido embora, a vida na cidade, pelo menos do ponto de vista material, era confortável. Com o tempo entendi que a fuga aconteceu por causa de algo mais subjetivo e forte - era um sentimento que é difícil explicar em palavras ou imagens, mas que qualquer pessoa dissidente que mora ali consegue entender".
Na trama, a cidade deixa de funcionar apenas como cenário para ocupar o centro da narrativa. O filme observa aqueles que partiram, mas também aqueles que ficaram. E encontra em suas histórias diferentes formas de viver, desejar e construir vínculos em um lugar que - como dizem a própria sinopse do filme e o slogan da cidade - é “bom demais para viver”.
O diretor é formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG) de Catalão, agora UFCAT. O primeiro longa assinado por Nolasco, o documentário Paulistas, estreou em 2017 no Dok Leipzig. Depois vieram Mr. Leather e a primeira trama de ficção, Vento Seco, apresentado na Mostra Panorama do Festival de Berlim em 2020. Mais recentemente, dirigiu Apenas Coisas Boas, também ambientado na região de Catalão.
A produção é assinada por Daniel Nolasco e Cecília Brito, sócios na Rensga Filmes e parceiros em diferentes trabalhos. Cecília atua há mais de dez anos no audiovisual e reúne em sua trajetória curtas, longas e séries. Ao lado de Nolasco, trabalhou também em títulos como Mr. Leather e Apenas Coisas Boas. A coprodução é da Bebop Filmes, produtora goianiense, e da alemã Welt Filmes. A distribuição é da Embaúba Filmes.
Antes de chegar à estreia mundial no tradicional Festival de Brasília, ‘Pequenas Tragédias’ participou, ainda em fase de finalização, do Conexão Brasil CineMundi 2026, realizado durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu o Prêmio Málaga WIP. Em março de 2026, o longa venceu também o principal Prêmio Málaga WIP Iberoamérica no evento, que acontece na Espanha.
SERVIÇO
Exibição em Goiânia do longa-metragem goiano ‘Pequenas Tragédias’
Data: domingo (20/09) Horário: às 18h30
Local: Cine Cultura, na Praça Cívica
Entrada Gratuita



