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PF arquiva investigação sobre suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras

8 de out.
3 min de leitura

Apuração foi solicitada pela AGU após reportagem apontar possível repasse de US$ 1 milhão a projeto voltado a críticas ao STF

Polícia Federal arquiva apuração sobre suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras
Créditos: Divulgação/PF
Resuminho para quem tem pressa: A Polícia Federal arquivou a apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A investigação foi solicitada pela AGU após reportagem do The Guardian sobre recursos americanos destinados a um projeto relacionado a críticas ao STF.Segundo a PF, não foram encontrados elementos suficientes para abrir um inquérito formal.

A Polícia Federal arquivou a apuração sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O procedimento havia sido solicitado pela Advocacia-Geral da União (AGU) após uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre recursos do governo de Donald Trump destinados a um projeto relacionado a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorreu após uma análise preliminar da PF. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (7), não foram encontrados elementos suficientes para a abertura de um inquérito formal. A AGU informou que foi comunicada sobre o arquivamento.


Pedido foi feito pela AGU


A solicitação da AGU foi encaminhada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na quinta-feira (1º), antes do primeiro turno das eleições.


O pedido teve como base uma reportagem publicada pelo The Guardian em 30 de setembro. Segundo o jornal, o Departamento de Estado dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão do Human Rights and Democracy Fund (HRDF), Fundo de Direitos Humanos e Democracia, para um projeto relacionado ao Brasil.


O programa foi identificado como “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, expressão que pode ser traduzida como “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.


Na notícia-crime, a AGU pediu que fossem apurados os fatos apresentados na reportagem, além da identificação de possíveis responsáveis e beneficiários dos recursos no Brasil. O órgão também destacou a proximidade do episódio com as eleições brasileiras.


O que dizia a reportagem


O The Guardian afirmou que o governo norte-americano havia destinado mais de US$ 175 milhões do fundo de direitos humanos para diferentes projetos internacionais. Entre eles estava o programa relacionado ao Brasil, com previsão de US$ 1 milhão.


De acordo com a publicação, o projeto teria como foco grupos que contestam o que classificam como excesso de atuação judicial e censura por parte do STF.


A informação levou a AGU a pedir uma apuração sobre a possibilidade de os recursos terem sido utilizados para financiar ações contra instituições brasileiras ou interferir no processo eleitoral.


A Agência Brasil também registrou que não havia informação, naquele momento, sobre eventual transferência efetiva do dinheiro ou se os valores apenas haviam sido destinados aos projetos.


PF iniciou apuração preliminar


No domingo (4), dia do primeiro turno, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação havia iniciado uma análise preliminar.


Na ocasião, ele explicou que a Diretoria de Inteligência havia recebido o material encaminhado pela AGU.


“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, afirmou Andrei Rodrigues.


A declaração foi dada antes do arquivamento. Segundo a PF, naquele momento ainda não havia sido instaurado um inquérito policial formal.


Investigação não virou inquérito


A diferença entre a apuração preliminar e um inquérito é um dos pontos centrais do caso.


A PF analisou as informações apresentadas pela AGU, mas não encontrou elementos considerados suficientes para avançar com uma investigação formal. Com isso, o procedimento foi arquivado.


O arquivamento, portanto, encerra a apuração preliminar solicitada pela AGU. A decisão não transforma em fato comprovado a suspeita apresentada inicialmente pelo órgão.


Entenda a suspeita de interferência


A preocupação apresentada pela AGU estava relacionada ao possível uso de dinheiro público dos Estados Unidos para financiar organizações ou grupos que atuam no Brasil.


No documento encaminhado à PF, a Advocacia-Geral da União classificou como grave a possibilidade de recursos estrangeiros serem utilizados para ações contra instituições brasileiras.


A AGU afirmou que, caso os fatos fossem comprovados, poderia haver uma estrutura de ingerência estrangeira em assuntos internos do país. O órgão também citou princípios constitucionais relacionados à soberania, independência e não intervenção.


A própria AGU, no entanto, apresentou os fatos como uma hipótese a ser apurada. A existência de financiamento e seu eventual uso para interferência nas eleições eram justamente pontos que o pedido buscava esclarecer.


O que acontece agora


Com o arquivamento pela Polícia Federal, não houve abertura de um inquérito para investigar a suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.


O caso havia ganhado atenção às vésperas do primeiro turno, depois da divulgação da reportagem do The Guardian e da iniciativa da AGU de encaminhar o caso às autoridades brasileiras.


A apuração preliminar da PF, porém, terminou sem a identificação de elementos suficientes para justificar a instauração de uma investigação formal.

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