Vídeo revela riquezas industriais de Goiás, incluindo polo farmacêutico, fábrica de carros híbridos e mina de terras raras
Setores estratégicos movimentam a economia e conectam o estado a cadeias produtivas internacionais

Resuminho para quem tem pressa: Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra a força industrial de Goiás, com destaque para o polo farmacêutico de Anápolis, a fábrica de veículos da CAOA, a produção de etanol e a mineração de terras raras em Minaçu. A publicação ultrapassou 165 mil visualizações e 11,1 mil curtidas. Os setores movimentam a economia goiana e conectam o estado a cadeias produtivas internacionais, especialmente nas áreas de medicamentos, biocombustíveis, automóveis e tecnologias de energia.
Goiás reúne indústrias farmacêuticas, montadoras de veículos, usinas de biocombustíveis e uma operação de mineração de terras raras que abastece uma cadeia tecnológica disputada internacionalmente. Esses setores aparecem em uma publicação que apresenta imagens aéreas e de mapas que dão uma noção mais clara disso, incluindo cenas de fábricas, estruturas logísticas e áreas de mineração para destacar a presença do estado em diferentes segmentos da economia.
O conteúdo, publicado pelo perfil do Instagram Economia Raiz (@economiaraiz), ultrapassou 165 mil visualizações e 11,1 mil curtidas. A narração percorre atividades instaladas principalmente em Anápolis e Minaçu, além da produção de etanol distribuída pelo território goiano.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Em 2024, a produção industrial de Goiás cresceu 2,6%, segundo levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB), com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Na comparação com 2002, início da série histórica, o avanço acumulado chegou a 85%.
Polo farmacêutico de Anápolis reúne quase 200 indústrias
Uma das primeiras áreas apresentadas é o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), que abriga empresas de diferentes segmentos, com destaque para a indústria farmacêutica. De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), o complexo reúne quase 200 indústrias e gera mais de 20 mil empregos diretos.
O distrito tem uma área de milhões de metros quadrados, formada pela estrutura original e por áreas de expansão. A Codego aponta Goiás como o segundo maior polo farmoquímico da América Latina, com presença de fabricantes de medicamentos genéricos e empresas que investem em modernização industrial.
Um exemplo da dimensão desse setor é a Brainfarma, fabricante instalada no DAIA e subsidiária da Hypera Pharma. Em 2022, a empresa inaugurou uma fábrica de medicamentos estéreis após investir R$ 416 milhões na estrutura de 12,7 mil metros quadrados. A unidade foi projetada para produzir até 38 milhões de unidades de medicamentos por ano, incluindo colírios e remédios injetáveis. Na época, a empresa informou ter 4,6 mil colaboradores em Goiás.
O polo também está ligado à logística de matérias-primas e produtos acabados. Nesse contexto, o vídeo mostra o Porto Seco Centro-Oeste, terminal alfandegado localizado em Anápolis que conecta operações de importação e exportação ao transporte rodoviário e ferroviário.
Em 2024, o porto seco movimentou mais de 688 mil toneladas de cargas e recebeu 53% das importações destinadas a Goiás, segundo dados publicados pelo portal Empreender em Goiás. No mesmo ano, foram registrados mais de 38 mil TEUs, medida equivalente a contêineres de 20 pés.
A narração também cita mercadorias provenientes da Índia e da China. A conexão internacional é importante para setores que dependem de insumos importados, mas a movimentação do terminal não se limita à indústria farmacêutica: grãos, algodão e cargas gerais também aparecem entre os produtos transportados.
Fábrica da CAOA em Anápolis já produziu 500 mil veículos
Outro destaque da publicação é a unidade industrial da CAOA em Anápolis, onde são produzidos veículos da CAOA Chery e modelos da Hyundai. A fábrica foi inaugurada em 2007, após um investimento inicial de R$ 1,2 bilhão, segundo informações da própria montadora. A empresa informa ter mais de 174 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 1,5 milhão de metros quadrados.
Fábrica de Anápolis
A unidade alcançou a marca de 500 mil veículos produzidos desde a inauguração em setembro de 2025, conforme comunicado divulgado pela CAOA. No mesmo mês, a CAOA Chery registrou 7.366 veículos vendidos no Brasil, enquanto a fábrica de Anápolis superou 7.500 unidades produzidas da marca, segundo a empresa.
A montadora também anunciou um plano de investimentos de R$ 3 bilhões para o período de 2024 a 2028, voltado à modernização e à expansão da operação. Entre as medidas previstas estavam a ampliação da estrutura e a incorporação de equipamentos de automação.
No vídeo, imagens aéreas dos pátios e da fábrica são acompanhadas por ilustrações digitais de SUVs híbridos. A narração relaciona o setor automotivo à adaptação de tecnologias para o mercado brasileiro, embora as imagens, isoladamente, não permitam confirmar quais modelos ou sistemas de propulsão estão efetivamente em produção na unidade.
Goiás deve produzir 5,3 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026
A publicação também percorre usinas e estruturas de armazenamento ligadas à produção de biocombustíveis. O setor tem peso relevante na economia goiana, impulsionado tanto pela cana-de-açúcar quanto pelo milho.
Na safra 2025/2026, Goiás deve produzir aproximadamente 5,3 bilhões de litros de etanol, considerando as duas matérias-primas, de acordo com dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), com base em informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Desse total, cerca de 4,5 bilhões de litros devem vir da cana-de-açúcar, o que coloca Goiás na segunda posição nacional nesse segmento. Ao incluir o etanol de milho, o estado aparece como o terceiro maior produtor brasileiro do biocombustível. A produção estimada de cana-de-açúcar na mesma safra é de 80,1 milhões de toneladas, distribuídas por aproximadamente 1 milhão de hectares.
A participação do milho amplia as possibilidades de produção ao longo do ano e diversifica as matérias-primas usadas pelas usinas. O etanol é utilizado como combustível e também integra estratégias de redução das emissões no transporte, embora seus resultados ambientais dependam de fatores como cultivo, processamento e distribuição.
Minaçu abriga operação comercial de terras raras
A parte final do conteúdo destaca a mineração em Minaçu, no norte goiano. É no município que funciona a operação da Serra Verde, responsável pela extração e pelo processamento inicial de terras raras no depósito de Pela Ema.
O vídeo identifica quatro elementos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles são usados na produção de ímãs permanentes de alto desempenho, aplicados em motores de veículos elétricos, geradores de turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos, entre outras tecnologias.
A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024. A empresa informa que pretende alcançar uma produção de 6,4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2027. A meta é da companhia e não deve ser confundida com a produção efetivamente registrada em cada ano.
A operação tem relevância porque os elementos magnéticos citados são parte de uma cadeia global concentrada na Ásia. Segundo a Agência Goiás de Notícias, a produção da Serra Verde é a única extração comercial em larga escala de terras raras em operação no Brasil, e a matéria-prima extraída em Minaçu é enviada à China para processamento posterior. O governo estadual tem defendido a instalação de etapas adicionais dessa cadeia em Goiás, para ampliar o valor agregado localmente.
O contexto internacional também ajuda a explicar o interesse nesses minerais. O Sumário Mineral Brasileiro de 2025, da Agência Nacional de Mineração (ANM), registra que o Brasil tinha 11,4 milhões de toneladas de reservas de terras raras em 2024, o equivalente a cerca de 13,9% das reservas mundiais estimadas naquele levantamento. As reservas brasileiras, porém, não significam produção imediata: extração, separação química e fabricação de componentes são etapas diferentes, que exigem infraestrutura e investimentos próprios.





