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Netinho, voz de “Milla” e um dos ícones do axé music, morre aos 60 anos

13 de out.
3 min de leitura

Artista baiano marcou o axé music nos anos 1990 e enfrentou uma longa batalha contra um câncer do sistema linfático



Cantor baiano Netinho ficou conhecido nacionalmente pelo sucesso “Milla”
Cantor baiano Netinho ficou conhecido nacionalmente pelo sucesso “Milla”. - Foto: Divulgação

O cantor baiano Netinho, conhecido nacionalmente pelo sucesso “Milla”, morreu aos 60 anos nesta terça-feira (13), em Salvador. Segundo informações divulgadas pela imprensa e atribuídas à assessoria do artista, ele estava internado no Hospital Aliança Star e enfrentava complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B.


De acordo com as informações divulgadas, o quadro de saúde evoluiu para falência renal e disfunção de múltiplos órgãos. Em comunicado, a equipe do cantor afirmou que ele “partiu tranquilo” e relembrou uma frase que Netinho costumava dizer durante o tratamento: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”.


A morte encerra a trajetória de um dos nomes associados à popularização do axé music no Brasil, especialmente durante os anos 1990, quando músicas como “Milla” e “Beijo na Boca” ganharam espaço nas rádios, nos carnavais e nos shows pelo país.


Netinho enfrentava câncer desde 2025

O cantor recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin em março de 2025, depois de ser hospitalizado com fortes dores nas pernas e nas costas. Na ocasião, permaneceu internado por cerca de 25 dias, segundo relatos publicados pela imprensa.


Após o tratamento inicial, a doença teria entrado em remissão, mas voltou em 2026. Com a recidiva, Netinho retomou as sessões de quimioterapia e passou a concentrar sua rotina nos cuidados com a saúde.


No fim de setembro, o artista se afastou das redes sociais para dedicar mais tempo ao tratamento. As complicações posteriores, segundo as informações divulgadas, agravaram seu estado clínico.


A equipe informou ainda que o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, apenas para familiares e amigos próximos, conforme desejo manifestado pelo próprio cantor.


“Milla” marcou a carreira do cantor baiano

Batizado Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 1966. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, onde desenvolveu o interesse pela música e aprendeu a tocar violão.


Durante a faculdade de Engenharia Civil, começou a cantar profissionalmente. Sua ligação com o Carnaval se fortaleceu a partir de 1984, e ele ganhou projeção nacional e internacional no fim da década de 1980, quando assumiu os vocais da Banda Beijo.


Em 1989, tornou-se um dos primeiros artistas do axé a se apresentar no programa “Domingão do Faustão”. No ano seguinte, participou de uma iniciativa que levou um trio elétrico de navio para a Itália durante a Copa do Mundo de 1990.


O maior sucesso de sua carreira veio em 1996, com “Milla”, música que se tornou presença frequente no Carnaval brasileiro e atravessou gerações. A canção era uma regravação de uma composição associada à banda Jheremmias Não Bate Córner, que deu origem ao grupo Jammil e Uma Noites.


Outro destaque de seu repertório foi “Beijo na Boca”, que ajudou a consolidar sua presença entre os artistas populares do axé music.


Antes do diagnóstico de câncer, Netinho passou por um período delicado em 2013, quando sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), conforme registros publicados pela imprensa. Os problemas de saúde exigiram acompanhamento médico e recuperação.


Mesmo após esses episódios, o artista manteve sua ligação com a música e com o público, compartilhando etapas de sua recuperação e de sua rotina nas redes sociais.


Na vida pessoal, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve sua única filha, Bruna. Em 2008, declarou-se bissexual em entrevista à revista Quem.


Nos anos seguintes, também passou a expressar publicamente posições políticas conservadoras e concorreu a deputado federal pela Bahia em 2022, pelo Partido Liberal (PL). Recebeu cerca de 30 mil votos, mas não foi eleito.

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