Rebeca Andrade lidera salto no Mundial, e Brasil garante cinco vagas nas finais
Flávia Saraiva fica em terceiro na trave, enquanto Lorrane Oliveira também avança no individual geral

A seleção brasileira feminina de ginástica artística garantiu presença em três disputas de finais no Mundial de Roterdã, na Holanda, nesta segunda-feira (19). Rebeca Andrade terminou a classificatória na liderança do salto, enquanto Flávia Saraiva avançou à decisão da trave na terceira posição. As duas também se classificaram para a final do individual geral ao lado de Lorrane Oliveira.
A equipe brasileira somou 159,131 pontos e terminou na oitava colocação, conquistando a última vaga na final por equipes. A classificação foi definida na última apresentação de Rebeca, que conseguiu a nota necessária para superar Grã-Bretanha, Alemanha e Holanda e colocar o Brasil entre os oito melhores países da competição.
A China liderou a classificatória, com 164,996 pontos, seguida pelos Estados Unidos, com 164,529, e pela Rússia, com 163,662.
A final por equipes está marcada para quarta-feira (21), às 14h30, no horário de Brasília. Além da disputa por medalhas, o Mundial faz parte do caminho de classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. As equipes medalhistas garantem vagas olímpicas antecipadas, enquanto outras oportunidades serão distribuídas no Mundial de 2027, na China.
Com a classificação em Roterdã, o Brasil também assegurou presença na próxima edição do Mundial. A equipe masculina, que ficou fora das finais nesta edição, precisará buscar a classificação pelo Campeonato Pan-Americano.
Rebeca Andrade lidera o salto em retorno ao Mundial
A competição marcou o retorno de Rebeca Andrade a um grande torneio internacional desde os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Após tirar 2025 para recuperar o corpo e a mente do desgaste acumulado na preparação olímpica, a ginasta voltou às disputas com foco no salto e na trave.
No salto, a campeã olímpica recebeu 14,400 pontos no primeiro movimento, um Yurchenko com dupla pirueta, e 14,266 no segundo, um Lopez. Com a bonificação de dois décimos por executar saltos com entradas diferentes, alcançou média de 14,533 pontos e assumiu a liderança da classificatória.
A nota ficou próxima dos 14,549 pontos obtidos por Rebeca no Campeonato Pan-Americano de junho, marca que, segundo o levantamento apresentado na cobertura da competição, era a maior do mundo naquele ano.
Na trave, a brasileira também fez uma boa apresentação, mas sofreu uma queda durante uma acrobacia e terminou com 13,033 pontos. Mesmo com o erro, o retorno foi celebrado pela atleta, que destacou a importância do período de recuperação.
“É muito bom estar de volta. Eu me senti muito feliz dentro da competição, ajudando as meninas, vibrando, torcendo”, afirmou Rebeca.
A ginasta também explicou que o descanso foi importante para lidar com o desgaste físico e mental e evitar novas lesões. Segundo ela, o planejamento foi feito em conjunto com o técnico Francisco Porath, respeitando cada etapa do retorno às competições.
O treinador afirmou que a equipe já sabia, desde o início do ano, que Rebeca se prepararia para competir em apenas dois aparelhos. A estratégia foi priorizar a execução e evitar aumentar desnecessariamente o grau de dificuldade dos movimentos.
Flávia Saraiva fica em terceiro na trave
Flávia Saraiva garantiu vaga na final da trave com 14,400 pontos e nota de dificuldade de 6,1. A brasileira simplificou parte da sequência acrobática para reduzir os riscos e conseguiu uma apresentação consistente.
A ginasta chegou a liderar a classificatória do aparelho, mas foi superada pelas chinesas Zhang Qingying, que alcançou 15,100 pontos, a maior nota da competição feminina, e Qiu Qiyuan, com 14,966.
Quarta colocada no Mundial do ano passado e duas vezes finalista olímpica na trave, Flávia também avançou à final do individual geral, com a 12ª melhor pontuação. O resultado foi de 53,566 pontos no somatório dos quatro aparelhos.
Após a apresentação, a brasileira comentou que ainda há ajustes a fazer e destacou o alívio de finalmente competir depois de dias de espera.
“É um aparelho de cada vez, um elemento de cada vez, tem muita coisa pra melhorar assim e é focar”, disse Flávia.
Lorrane Oliveira também avança no individual geral
Lorrane Oliveira terminou a classificatória do individual geral na 22ª posição e também garantiu vaga na final. A brasileira somou 52,165 pontos e voltou a disputar essa prova em um Mundial pela primeira vez desde 2015.
O destaque de Lorrane foi nas barras assimétricas, onde conseguiu 13,700 pontos, a melhor nota brasileira no aparelho. No solo, recebeu 13,133 pontos, com uma série que incluiu o movimento Dos Santos I.
Na trave, a ginasta teve desequilíbrios e precisou apoiar a mão no aparelho para evitar uma queda, terminando com 12,466 pontos. No salto, obteve 12,866.
Brasil soma pontos nos quatro aparelhos
A equipe brasileira iniciou a classificatória nas barras assimétricas, aparelho em que tradicionalmente encontra mais dificuldades. Thais Fidélis marcou 12,200 pontos, enquanto Sophia Weisberg sofreu duas quedas e recebeu 10,033, nota descartada no cálculo da equipe. Lorrane conseguiu 13,700, e Flávia somou 13,300. O Brasil fechou a rotação com 39,200 pontos.
Na trave, Thais abriu a participação brasileira com 13,500 pontos. Lorrane marcou 12,466, e Flávia brilhou com 14,400. Rebeca sofreu a queda durante sua série e terminou com 13,033. O total da equipe no aparelho foi de 40,933 pontos.
No solo, Thais conseguiu 12,733, Sophia marcou 12,566 e Lorrane recebeu 13,133. Flávia encerrou a participação brasileira no aparelho com 12,866 pontos. O somatório informado na cobertura da competição foi de 38,732 pontos.
No salto, Lorrane abriu com 12,866 pontos. Sophia recebeu 12,766 após cair na chegada de um salto de maior dificuldade. Flávia, que sentiu um incômodo na coxa esquerda durante o aquecimento do treino de pódio, optou por um movimento mais simples e marcou 13,000 pontos.
Coube a Rebeca fechar a rotação. A brasileira conseguiu 14,400 pontos no primeiro salto e, depois, marcou 14,266 no segundo. A média de 14,533 garantiu a liderança individual no aparelho e foi decisiva para a classificação da equipe.
Além de Rebeca, Flávia, Lorrane, Thais Fidélis e Sophia Weisberg integraram o time brasileiro na classificatória. Gabriela Bouças ficou como reserva.
O Brasil agora se prepara para as finais do Mundial, com a possibilidade de disputar medalhas por equipes e nos aparelhos individuais, além de seguir na busca por vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.





